quarta-feira, 22 de agosto de 2012

APRENDENDO A ARMAZENAR OS VINHOS

Bom não basta comprar inúmeras garrafas de excelentes vinhos se não soubermos armazena-los devidamente, isso pode gerar uma dor de cabeça, e também um desperdício de um bom vinho, então vamos a algumas dicas importantes:



Desfrutar de um boa garrafa de vinho não depende apenas da escolha acertada da marca ou do ano de colheita, mas também depende, e muito, da forma como se armazena o vinho. O local, a posição e a temperatura são todos elementos que se devem ter em conta na hora de armazenar corretamente as suas garrafas de vinho.
Segundo um site que li chamado Clube do Vinho, devemos:







Local

O local escolhido para armazenar vinho deve ser escuro, ou seja, protegido de luz solar direta e até da iluminação artificial, nomeadamente as luzes fluorescentes – a exposição contínua a qualquer tipo de luz direta pode penetrar a garrafa e alterar significativamente o sabor e o aroma do vinho. Os vinhos brancos são mais sensíveis à luz do que os vinhos tintos, no entanto, ambos devem ser resguardados: se não tiver uma adega, uma despensa ou um armário fechado, guarde as garrafas numa caixa ou tape-as com um pano. Evite guardar garrafas de vinho junto de fontes de calor (em cima do frigorífico ou junto do mesmo, por exemplo) e nunca em conjunto com alimentos ou produtos com aromas fortes. Os frigoríficos garrafeiras (ou caves de vinhos) são também uma excelente opção para armazenar apropriadamente garrafas de vinho.

Temperatura

O local onde armazena o vinho nunca deve atingir a temperatura máxima de 24ºC, uma vez que a esta temperatura o vinho começa a oxidar, acabando por se estragar por completo. A temperatura ideal para guardar vinho são 12ºC, mas se essa temperatura baixar, não irá prejudicar o vinho – apenas irá retardar o processo de envelhecimento do vinho. O armazenamento adequado do vinho também tem de ter em conta uma temperatura o mais constante possível e se existirem flutuações estas devem ser graduais. Embora o vinho tinto seja mais suscetível às flutuações de temperatura do que o vinho branco, a verdade é que quanto mais flutuar a temperatura, maior o risco do vinho envelhecer prematuramente. Por isso mesmo, a temperatura no local de armazenamento do vinho não deve flutuar mais de 1.6ºC num dia e 2.7ºC num ano.

Humidade

A humidade é outro fator que pode influenciar, negativamente, uma garrafa de vinho – se o nível de humidade estiver muito baixo, as rolhas vão secar e mingar, o que permite a entrada de oxigénio na garrafa e a consequente oxidação do vinho. Nesse sentido, o nível de humidade ideal situa-se entre os 65% e os 75%.

Posição

Em termos de posição, a forma mais apropriada para armazenar garrafas de vinho é horizontalmente. Porquê? Porque ao manter as garrafas deitadas, as rolhas irão estar em contacto permanente com o vinho, mantendo-as húmidas e intactas, o que inibe a entrada de oxigénio. O oxigénio rapidamente oxida um vinho, estragando a sua cor, aroma e paladar – algo que pode facilmente acontecer quando as garrafas são guardadas muito tempo na posição vertical.

Movimento

Guardar garrafas de vinho sobre ou muito próximo de eletrodomésticos, principalmente aqueles que têm uma ação vibratória, é desaconselhável. Se uma garrafa de vinho estiver constantemente ou mesmo frequentemente sujeita a movimentos e/ou vibrações, estas podem contribuir para a alteração e consequente deterioração do vinho. Neste sentido, as pequenas garrafeiras em madeira ou plástico são aconselhadas para guardar vinho porque permitem reservar um espaço para cada garrafa, ou seja, sempre que pegar numa garrafa não perturba nenhuma das outras.

Tempo

Nem todos os vinhos melhoram com o tempo, o que significa que praticamente todos os vinhos têm um prazo de validade que deve ser respeitado, se não quer acabar por deitar o vinho fora. A maioria dos vinhos tintos pode ser armazenada entre 2 e 10 anos; já os vinhos brancos têm uma esperança de vida menor, entre 2 e 3 anos.

APRENDENDO A APRECIAR O VINHO

Todos nós sabemos que o vinho é uma bebida magnifica, mas por outro lado ficamos sempre na dúvida de qual vinho é bom, sempre pedimos sugestões de alguém, amigo, parente, etc.
Porém eu estive aqui pensando e resolvi escrever sobre isso, pois sugeri diversos vinhos aqui alguns eu já provei outros ainda não então aqui vai algumas dicas e espero que aproveitem:

"Nunca peça dica de que vinho é bom, porque cada um tem um paladar diferenciado, e o que é bom pra mim pode ser ruim para você", diz o professor Julio Cesar Bolaños Polo, do Senac de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Segundo o especialista em vinhos - chamado sommelier -, mesmo quem não entende nada da bebida deve fazer a escolha por si. "Se gostar ou se não gostar do sabor, a pessoa com certeza vai lembrar, porque foi ela quem escolheu", continua.
Mas, para ajudar na escolha, Polo dá algumas dicas a quem quer começar a apreciar vinhos. O primeiro passo, segundo ele, é começar a estudar e conhecer os diferentes tipos da bebida. "Muitas pessoas não gostam porque na primeira vez fizeram uma apreciação inadequada", explica. A sugestão é começar com bebidas de pouca estrutura, suaves e leves.
Dicas para começar a apreciar vinhos
























Os vinhos brancos costumam agradar com mais facilidade, diz o sommelier, porque dependendo do tipo se assemelham a outros sabores, como de alguns sucos. Ele sugere os malvasia de cândia e os sauvignon blanc, leves e propícios a quem está começando. Um pouco mais encorpado, embora ainda macio o bastante para paladares mais virgens, há também o riesling itálico.
Dentre os tintos, os feitos de uva merlot também servem aos iniciantes, por serem sutis e não agredirem o paladar. Os cabernet franc também são uma opção, mas é preciso estar atento ao ano de produção e ao tempo que a bebida ficou em barricas de carvalho. Vinhos mais novos e com três a cinco meses passados em carvalho são as ideais para quem está começando.
"Essas informações podem ser encontradas no contrarrótulo, junto com a descrição sensorial, e é muito importante lê-las para aprender sobre os vinhos", ensina o professor. Além de usar os dados para escolher a bebida, ele aconselha a comparar o que é descrito na garrafa e o que se sente ao degustar o vinho.
Treinando os sentidos Além de estudar as características das uvas e sempre ler os rótulos das garrafas, quem está começando na arte de degustar vinhos deve treinar o olfato e o paladar. Antes disso, porém, Polo diz que é preciso treinar a memória. O enófilo - pessoa que gosta do fermentado mas não é um especialista profissional - deve gravar a cor, o cheiro e o sabor das bebidas que prova.
Dicas para começar a apreciar vinhos













A coloração é um dos aspectos básicos a se observar. Balançar a taça suavemente de forma circular é uma forma de perceber o tom mais facilmente. O aroma do vinho também é importante. O professor sugere: "o que este cheiro me lembra? Que perfumes consigo perceber?".
Para treinar, pode-se comprar um kit de aromas, composto por frascos com diferentes fragrâncias. A pessoa sente o aroma e deve tentar identificar qual é, treinando memória e olfato ao mesmo tempo. Mas, independe do kit, o exercício deve ser constante, "na feira, que cheiros são esses? e na hora das refeições, quais temperos liberam quais perfumes?", ilustra Polo.

Kit tem aromas e guias para quem quer aperfeiçoar olfato
Dicas para começar a apreciar vinhos - Vinhos tintos combinam com carnes vermelhas














A terceira característica elementar é o tato, definido como o conjunto das sensações percebidas pelo paladar. Os sabores são sentidos quase como um processo: como o vinho foi sentido assim que chegou às papilas gustativas? Foi agressivo? E depois de engolir, o gosto ficou? Enquanto passava pela garganta, foi adstringente? Suave?
Taças e acessórios A experiência da degustação do vinho também é influenciada pela taça usada. Segundo Polo, o cálice deve ter bojo amplo na parte de baixo, para permitir observar a coloração da bebida. Já a boca da taça, ao contrário, deve ser um pouco mais fechada, facilitando a percepção do aroma. A haste, parte entre o bojo e a base, deve ser de tamanho mediano.
Taças precisam ter bojo amplo e boca um pouco mais fechada
Dicas para começar a apreciar vinhos - Vinhos tintos combinam com carnes vermelhas













Para quem está dando os primeiros passos como enófilo, o sommelier indica as chamadas taças para degustação. O bojo é mais comprido, o que ajuda a fazer a análise sensorial, e também é arredondado no fundo, facilitando a observação da cor. Além disso, o modelo tem a haste mais curta, com cerca de cinco centímetros de altura, e são de fácil manipulação.
Ao lado das taças, o professor do Senac cita como acessórios essenciais aos apreciadores o abridor de garrafas (saca-rolha) e o decanter - peça que deixa a garrafa inclinada, fazendo com que a borra se deposite no fundo do frasco e não seja servida junto com o vinho. Outros artefatos, como corta-gotas, tampa para garrafas abertas e corta-cápsula ficam a critério de cada um.
Escolhendo os vinhos Sem citar vinícolas, Polo diz que os vinhos merlot, cabernet franc, malvasia de cândia e sauvignon blanc podem ser comprados de marcas brasileiras. Isso porque o terroir - conjunto de características de solo, clima e topografia uma região - de Vale do São Francisco, Campanha e Serra Gaúcha, entre outros, são propícios ao cultivo das uvas usadas na fabricação das bebidas.
Dicas para começar a apreciar vinhos - Malbec é uma das especialidades argentinas














Considerando outros terroirs do mundo, o professor sugere alguns tipos de vinho internacionais. Dos vizinhos latino-americanos, a indicação é o carménère do Uruguai ou do Chile, e o malbec da Argentina.
Quem optar por rótulos europeus pode escolher um tempranillo espanhol ou, da França, um chateau ou um grand cru - este último tipo pode ter preços de até R$ 5 mil por garrafa. Ainda do Velho Mundo, pode-se optar pelos chamados "vinhos verdes" portugueses. Falando em Portugal, Polo alerta que o famoso vinho do Porto não costuma ser consumido durante as refeições, por causa do sabor forte que tem, sendo servido em geral com as entradas ou sobremesas.
Combinando vinhos e alimentos Julio Cesar Bolaños Polo explica que o vinho tomado nas refeições deve "limpar o paladar", realçando o sabor do prato. Isso significa que a bebida precisa ter gosto o bastante para ser sentida, mas esse gosto não pode permanecer na boca com muita intensidade ou por tempo demais a ponto de interferir no gosto da iguaria seguinte. Esse conceito, um tanto abstrato para quem está começando, é o que se chama de harmonização.
O professor do Senac afirma que, hoje, as harmonizações clássicas não são as únicas que existem. Ainda assim, elas podem ser um bom guia para quem ainda não tem conhecimento suficiente para criar suas próprias combinações. Tradicionalmente, continua o sommelier, vinhos tintos combinam com carnes vermelhas e pratos sofisticados, enquanto os brancos são servidos com aves e frutos do mar. Com saladas, cremes, sopas e sobremesas, os espumantes caem bem.
Vinhos tintos combinam com carnes vermelhas
Dicas para começar a apreciar vinhos - Vinhos tintos combinam com carnes vermelhas













E pode misturar? De acordo com Polo, sim. Mas deve-se começar com uma bebida de pouca estrutura e então seguir para uma de sabor mais forte. Do contrário, o primeiro vinho afeta a degustação do segundo. Para distinguir entre os dois, vale a primeira dica do professor: ler o contrarrótulo e se lembrar de experiências anteriores.


Algo importante para lembrar:

- Ao servir o vinho, evite ultrapassar o limite de um terço da taça. Assim, fica mais fácil manuseá-la.
- Segure a taça pela haste e não pelo bojo. Dessa maneira, ela se mantém transparente, sem marcas de digitais, o que possibilita observar melhor a cor da bebida.
- A quantidade menor de líquido permite que se façam mais facilmente movimentos circulares com a taça para aerar o vinho. Como resultado, ele se inunda de oxigênio e libera o álcool e aromas.
- Para melhor identificar os sabores do vinho, os conhecedores costumam fazê-lo “passear” pela boca com um pouco de ar. Essa ótima maneira de prová-lo deve ser realizada de forma discreta, produzindo o mínimo de ruído possível.
- A regra clássica de harmonização com a comida recomenda brancos para pescados e tintos para carnes. Quem tem mais intimidade com a bebida pode tentar algumas variações, usando rosés e tintos leves para os peixes. No caso das culinárias asiática e peruana, tão em moda, prefira os espumantes ou os brancos.
- A ordem para o serviço da bebida indica que se inicie pelos mais leves, passando aos mais encorpados e, finalmente, aos digestivos e vinhos de sobremesa. Ou seja, comece com brancos mais delicados, sirva os mais estruturados e siga pelos tintos. Antes da refeição, funcionam bem como aperitivo um espumante ou um jerez seco.
- Cada tipo de vinho requer uma temperatura adequada. Brancos ficam agradáveis resfriados, mas não gelados demais, porque isso inibe a liberação de aromas e altera o sabor. Essa norma vale também para os espumantes. No caso dos tintos, é comum falar em temperatura ambiente, mas essa regra se refere ao clima europeu. Eles evidenciam suas qualidades quando mantidos em torno de 18 graus.

Bom agora que já sabemos estas dicas: Salute!!! Santé!!!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

OS MELHORES ITALIANOS

Bom todos na vida fazem lista de coisas que querem conquistar, do que pretendem fazer algum dia, eu por exemplo tenho uma pequena lista chamada de LISTA DO EU QUERIA, sim como o próprio nome diz, eu queria ou melhor dizendo eu quero, então ai vai uma lista dos melhores vinhos italianos que eu também quero e que por acaso se encontram na minha pequena lista que já nem lembro quantos itens ela contém:



Barolo Monprivato Ca’ d’Morissio Riserva 2003, Giuseppe Mascarello e figlio



Barolo Monfortino Riserva 2002, Giacomo Conterno
 


Barolo 2006, Bartolo Mascarello



Brunello di Montalcino Riserva 2004, Case Basse – Gianfranco Soldera
 

Barbaresco Asili Riserva 2004, Bruno Giacosa
 


Barolo Cannubi S.Lorenzo – Ravera 2006, Giuseppe Rinaldi



Barbaresco Crichët Pajé 2001, Roagna




Le Pergole Torte Toscana Igt 2007, Montevertine



Valtellina Grumello Riserva Buon Consiglio 2001, Ar.Pe.Pe.
 


Amarone della Valpolicella Classico selezione Giuseppe Quintarelli 2000, Giuseppe Quintarelli


Giulio Ferrari Riserva del Fondatore 1993, Ferrari


Malvasia di Bosa 2006, Giovanni Battista Columbu



Brunello di Montalcino 2004, Fattoria Poggio di Sotto
 



Il Caberlot Toscana Igt 2007, Podere Il Carnasciale



Marsala Superiore 1986, De Bartoli




Friuli Vitovska, Vodopivec



Brunello di Montalcino 2006, Cerbaiona


Barolo riserva Bricco Boschis Vigna San Giuseppe 2005, Cavallotto



Sorì San Lorenzo Langhe Nebbiolo 2006, Gaja


Masseto Toscana Igt 2007, Tenuta dell’Ornellaia



Vernaccia di Oristano antico Gregori, Attilio Contini


Barolo riserva Bussia 2001, Parusso



Moscato d’Asti Vigna Vecchia 2005, Ca’ d’Gal

A HISTÓRIA DO VINHO

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    
A história do vinho tem grande importância histórica, pois o seu surgimento em tempos remotos tornou-o um produto que acompanhou grande parte da evolução ecônomica e sócio-cultural de várias civilizações ocidentais e orientais.

Vinhas na região do Minho, Portugal

A origem do vinho. O vinho possui uma longínqua importância histórica e religiosa e remonta diversos períodos da humanidade. Cada cultura conta seu surgimento de uma forma diferente. Os cristãos, embasados no Antigo Testamento, acreditam que foi Noé quem plantou um vinhedo e com ele produziu o primeiro vinho do mundo ("E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha." Gênesis, capítulo 9, versículo 20). Já os gregos consideraram a bebida uma dádiva dos deuses. Hititas, babilônicas, sumérias, as histórias foram adaptadas de acordo com a tradição e crença do povo sob perspectiva.
Do ponto de vista histórico, sua origem precisa é impossível, pois o vinho nasceu antes da escrita. Os enólogos dizem que a bebida surgiu por acaso, talvez por um punhado de uvas amassadas esquecidas num recipiente, que sofreram posteriormente os efeitos da fermentação. Mas o cultivo das videiras para a produção do vinho só foi possível quando os nômades se tornaram sedentários. Existem referências que indicam a Geórgia como o local onde provavelmente se produziu vinho pela primeira vez, sendo que foram encontradas neste local graínhas datadas entre 7000 a.c. e 5000 a.c.
Que o vinho tenha sido inventado antes da escrita e do arado, há 7.500 anos, diz alguma coisa sobre a humanidade? O filósofo francês Gaston Bachelard acha que sim. Ele escreveu que essa é mais uma das inúmeras provas de que a humanidade evoluiu movida mais pelo desejo que pela necessidade. Recentemente, o pesquisador americano Patrick McGovern, da Universidade da Pensilvânia, conseguiu reproduzir em laboratório uma mistura alcoólica que, segundo ele, serviu para embriagar os convivas que participaram no ano 700 a.C., da cerimônia fúnebre em homenagem ao rei Midas, da Frigia, reino que ocupou uma região central onde fica hoje a Turquia. Parte do trabalho de Mcgovern, um arqueólogo molecular, consiste em recolher amostras microscópicas de restos de vinhos e uvas que resistiram aos milênios no interior de ânforas antigas. Com a mínima quantidade de material genético preservado, o cientista identifica a composição do líquido que esteve na ânfora, e no laboratório, refaz a mistura. “A bebida que embalou o enterro do rei Midas era adorável. Era uma mistura de vinho, cerveja e mel fermentado com água”, diz ele que é autor de um livro recente sobre a história da nobre bebida de uvas fermentadas. O livro se chama em Inglês “Ancient Wine: The Search for the Origins of Viniculture (Vinhos Antigos: A Busca das Origens da Vinicultura).
Sua ambição maior é descobrir onde e quando foi feito o primeiro vinho. É um mistério de difícil solução. Ele acredita que a primeira incursão do homem na vinicultura só pode ter começado depois da Idade do Gelo, quando as duras condições de existência e a ausência de caça obrigaram a humanidade a se organizar em grupos maiores que os clãs, com regras rígidas de convivência e, claro, com sua economia baseada na agricultura. Por aí vemos que estes grupos não podiam ser nômades, posto que as plantações tinham que ser colhidas todo o ano em especial a parreira, que seus primeiros frutos demoram quatro anos para darem frutos, isto já na fase de produção. Por esses critérios, conclui ele, o vinho não pode ter mais de 10.000 anos.”Muito provavelmente diversos grupos humanos em diferentes regiões descobriram independentemente o processo de domesticação e fermentação da uva selvagem” escreveu Mcgovern.A razão é simples. A fermentação pode ocorrer em situações naturais, sem a ação humana.Algumas leveduras são introduzidas em uvas por vespas e outras pragas e, pronto, o conteúdo da uva se torna alcoólico.”Por tentativa e erro, as populações antigas acabaram por descobrir uma maneira de controlar o processo e reproduzi-lo em alta escala”, diz o cientista.
Uma vez dominado o processo, o vinho se ternou uma bebida requisitada e tão valiosa quanto o azeite nas transações entre os povos das primeiras civilizações. Para os egípcios, há 5.000 anos, o vinho ocupava lugar superior ao da cerveja entre as bebidas alcoólicas. Graças aos hieróglifos sabe-se que o vinho dos faraós, era guardado em toneis de Acácia. E uma observação dos desenhos torna evidente que o vinho era tinto, ou melhor dito, rose. Ou branco, como não havia forma de guardar o vinho, o tinto novo era muito adstringente, daí a suposição. Possivelmente porque as ânforas já permitiam alguma vedação, suficiente para amansar um vinho, fermentado com as cascas, desde que sem exageros. As ânforas de argila recebiam rótulos em que os fornecedores dos faraós classificavam os vinhos por sua origem e qualidade usando termos como “bom” e “muito, muito bom , com a origem da uva, a natureza do solo, o nome do proprietário e do ENÓLOGO. Os chefes de equipe das pirâmides eram pagos com ânforas de vinho. Já os servos tinham de se contentar com cerveja. Os faraós, de acordo com suas crenças na imortalidade da alma, eram enterrados com todos seus pertences, incluindo ânforas de vinho, para sua caminhada aos céus, e por serem considerados deuses eram enterrados nas pirâmides, que significa um portal para a eternidade, daí a existência das mesmas em profusão no Egito.
Traços de sementes de uvas prensadas e de mosto seco são encontrados nos Montes Cáucasos, datados de 7 mil anos a.C.. Armenios e Georgianos disputam a paternidade do vinho.Persas e Sumérios experimentaram a adaptação das parreiras e diferentes tipos de solos e utilizavam diferentes tipos de uvas para obter vinhos de diversas qualidades, como nos ensina o Mestre Groff.
O vinho, diferentemente da cidra e da cerveja, é um produto sazonal, recolhido num curto espaço de tempo, exigindo uma mão de obra concentrada porque a uva, ao contrário da cevada e das maçãs, não pode ser estocada para vinificar mais tarde. Logo a sociedade que faz vinho tinha de ser mais organizada.
Este um retrospecto das origens do VINHO, que tanto encanta a humanidade através dos milênios. Trouxemos assim, ao conhecimento e reflexão de nossos leitores(as) visão muito resumida da valiosa contribuição ao mundo e amplo quadro da evolução do vinho no mundo antigo.A intenção foi introduzir informações gerais, para provocar e estimular felizes descobertas.
Celebremos a vida com um brinde com responsabilidade à arte de viver com saúde e felicidades, com uma nova descoberta a cada garrafa.
LAOS VINO ET DEO (Louvor ao vinho e à Deus que o criou.
AVOE. BRADO DE EVOCAÇÃO À BACO POR SEUS SÚDITOS.
O VINHO TRATADO COM INTELIGÊNCIA.

NOVA ZELÂNDIA NA ROTA DOS VINHOS

Foi por acaso que vi um video outro dia falando das maravilhas do vinho da Nova Zelândia e fui buscar sobre esta informação.
Dizem que a Nova Zelândia produz vinhos brancos magnificos, e que sua produção em larga escala começou no ano de 1970, mas logo seus vinhos ganharam fama mundial.
Segundo uma reportagem de Aguinaldo Záckia Albert, da revista Adega:

As altas temperaturas de nosso verão despertam nos enófilos o desejo de beber vinhos frutados e de boa acidez, de preferência brancos, para refrescar e acompanhar pratos mais leves. Nessas circunstâncias, os vinhos neozelandeses são um dos primeiros a serem lembrados.
A Nova Zelândia é a região produtora mais isolada do planeta, um conjunto de ilhas a cerca de 1600 km da já distante Austrália. Embora sua produção não seja muito expressiva, a qualidade alcançada por seus vinhos em um curto espaço de tempo lhe valeu merecido destaque no cenário mundial.
Não existe região vinícola que produza vinhos num território tão austral quanto a Nova Zelândia. Sua zona produtora localiza-se entre os paralelos 35° e 44° de latitude sul, correspondendo, em termos europeus, ao sul da Espanha e à Côte-du-Rhône. Entretanto, seu clima é bem mais frio do que o destas regiões do Velho Mundo, pois, embora as latitudes sejam as mesmas, a falta de massa continental ao seu redor faz com que suas temperaturas sejam consideravelmente mais baixas, o que garante uma vocação bastante diversa quanto às castas de uvas ali plantadas e o estilo de seus vinhos.
Sua história vitivinícola é bem recente, pelo menos a de boa qualidade, uma vez que a elaboração de vinhos a partir da vitis vinifera em larga escala só se iniciou em 1970. Já nos anos 80, seus Sauvignon Blancs e Chardonnays começaram a ter reconhecimento internacional.
Os brancos desde o princípio
Os primeiros vinhedos foram plantados em 1840 em Kerikeri, Bay of Island, Ilha do Norte, pelo missionário anglicano Samuel Mardsen. Entretanto, os primeiros vinhos só começaram a ser produzidos 20 anos mais tarde, como confirma o depoimento do explorador francês Dumont d'Urville, que nos fala no livro "The Wines and Vineyards of New Zealand", de "uma latada (treliça) em que floresciam várias parreiras...com grande prazer pude provar o produto do vinhedo que acabara de ver. Fui servido de um leve vinho branco, muito espumante, e delicioso ao paladar, que apreciei imensamente." Como se vê, já se prenunciava a grande vocação da região para os refrescantes vinhos brancos.
Alguns fatos, no entanto, conspiraram para a que viticultura não prosperasse de forma desejável. Em primeiro lugar, a população de origem era predominantemente inglesa, mais voltada para o consumo da cerveja, embora a elite apreciasse o vinho. Mas, neste caso, o fermentado tinha que ser um Bordeaux, um Jerez ou um Porto europeu.
Depois, a fundação da New Zealand Temperance Society, em 1836, que pregava a proibição de toda bebida alcoólica, da mesma forma como viria ocorrer no século seguinte nos Estados Unidos. Seu poder foi muito grande entre os anos 1881 e 1918, vindo a frustrar os esforços do governador viticulturista Romeo Bragato, que muito fez pela melhoria da qualidade do vinho neozelandês entre os anos 1895 e 1909.
A isso tudo deve-se somar as sequelas da praga da filoxera, que também atingiu estas ilhas distantes por volta de 1895. As consequências foram desastrosas, pois, ao invés de seguirem o exemplo europeu de plantar espécies de vitis vinifera enxertadas em "cavalos" de espécies americanas, optaram por plantar pura e simplesmente castas americanas híbridas, resistentes à praga, mas que dão origem a vinhos de baixíssima qualidade. Assim, em 1960, a uva Isabella, conhecida na região por Albany Surprise, era a mais plantada no país.
Com altos e baixos, chega-se aos anos 70, o interesse pelo vinho cresce e tem início uma importante revolução de qualidade no país. O estilo dos Sauvignon Blancs, Chardonnays e Pinot Noir neozelandeses começam a marcar presença. Nos nossos dias, o prestígio do país como produtor de vinhos de alta qualidade já está consolidado.

Influência australiana
A indústria vinícola desta região, que surpreendeu o mundo com sua rápida ascensão, sofreu forte influência de pesquisadores da Universidade de Adelaide, Austrália, onde se formou a maioria dos enólogos neozelandeses. Além disso, boa parte da mão-de-obra especializada também é de origem australiana. Vale lembrar que a Austrália tem tradição vitivinícola maior do que a Nova Zelândia, que recebeu também muitos enólogos de origem europeia.
Apenas uma grande vinícola produz metade do vinho do país, e outras duas, 40%. Entretanto, é nos 10% restantes que se encontram os melhores vinhos da região. Muitos dos proprietários destes pequenos vinhedos seguem o chamado "lifestyle winery".
Geralmente são aposentados ou jovens casais que buscam mais uma forma de vida alternativa, atraídos mais pelo bucolismo de seu ambiente de trabalho do que pelos objetivos comerciais.
As regiões
São 10 regiões produtoras distribuídas pelas duas ilhas, que seguem nomeadas no sentido norte/sul:
NORTHLAND - Os primeiros vinhedos do país foram aqui plantados no início do século XIX. Depois de abandonada, o interesse pela vitivinicultura ressurgiu nos últimos anos e agora se expande. É a região de clima mais quente, portanto, mais adequada à Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, as três castas mais cultivadas. O solo varia do argiloso ao argilo-arenoso, passando por regiões de subsolo vulcânico.
AUCKLAND - Henderson, Kumeu e Huapai, situadas a noroeste da cidade de Auckland, são as mais tradicionais subrregiões desta zona. Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay são as uvas mais plantadas, embora também se encontre a Sauvignon Blanc e a Semillon. Os vinhos tintos são os de maior reputação.
WAIKATO/BAY OF PLENTY - Pequena região ao sul de Auckland que começa a despontar. Chardonnays, Sauvignon Blancs e Cabernet Sauvignons de boa qualidade.
GISBORNE - Situado no extremo leste da ilha, é o vinhedo mais oriental do planeta. Vinhas geralmente plantadas em planícies. Solos de calcárioargiloso sobre subsolo vulcânico ou arenoso. Tem 90% de uvas brancas, sendo metade de Chardonnay. Sem muita expressão em termos de qualidade.
HAWKES BAY - Perto da cidade de Napier, é uma das mais antigas regiões produtoras do país e também uma das de maior reputação, além de ser a segunda maior. A enorme variedade de solos propicia o plantio de várias cepas. Tem o maior número de horas/sol da Nova Zelândia graças a uma cadeia de montanhas que bloqueia as chuvas trazidas pelo vento. A Chardonnay predomina, embora o clima ensolarado atraia cepas tintas como a Pinot Noir e outras de amadurecimento mais tardio, como Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah.
WELLINGTON - Ocupa a região mais ao sul da Ilha do Norte. Martinborough e Wairarapa são seus distritos mais famosos. A região se notabiliza pelos seus esplêndidos Pinot Noir e Sauvignon Blancs. A produção é pequena, mas de alta qualidade. O estilo de seus vinhos é muito semelhante aos de Marlborough, Ilha do Sul.
NELSON - Já na Ilha do Sul. Área de grande beleza natural e pequena produção. Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling e Pinot Noir ocupam quase a totalidade da área plantada.
Fotos: divulgação Mistral




MARLBOROUGH - Os primeiros vinhedos só foram plantados em 1973 e, no entanto, é hoje a região mais conhecida e de maior reputação do país. Seus Sauvignon Blancs são extraordinários, de grande riqueza e frescor. É também a maior produtora de espumantes elaborados a partir da Chardonnay e Pinot Noir, com as quais produz também vinhos tranquilos de altíssima qualidade. Vinhedos plantados em terraços planos às margens de rios. Solos pedregosos (os melhores) e argilosos.
CANTERBURY - Próxima à cidade de Christchurch, onde se plantaram os primeiros vinhedos nos anos 1970. Mais ao sul, fica a nova e promissora subrregião de Waipara. Verões longos e secos, com bastante insolação, e invernos rigorosos são a marca da região. Uvas mais plantadas em ordem decrescente: Chardonnay, Pinot Noir, Riesling e Sauvignon Blanc. É a quarta maior região do país.
CENTRAL OTAGO - Situada abaixo do paralelo 45, é a região produtora de vinho mais austral do mundo. Vinhedos plantados em altitude propiciam boa insolação e grande amplitude térmica. Muitos bons vinhos à base de Pinot Noir, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling.
Fotos: divulgação Mistral

Principais uvas
SAUVIGNON BLANC - Aclamada por todos como a grande uva do país. Dá vinhos extremamente frutados (com aromas pungentes de maracujá, lima e mato cortado), de grande frescor e persistência. Rivalizam e, muitas vezes, suplantam os melhores franceses do vale do Loire. Seu plantio teve início em Auckland, mas se espalhou por todo o território. Atualmente, dois terços de sua produção encontram-se em Marlborough.
CHARDONNAY - É hoje a cepa mais plantada no país. A grande diversidade de solos e, principalmente, de climas, associada aos vários estilos de vinificação, propiciam uma ampla gama de vinhos elaborados com esta uva. No geral, eles são bastante complexos, frutados e frescos. Os de regiões mais quentes (como Auckland e Northland) tendem a ser mais encorpados, maduros e com grande amplitude de aromas, enquanto os da área de Marlborough são mais ácidos e refrescantes, com marcado aroma de pêssegos e frutas cítricas. Barricas de carvalho francês e americano são utilizadas em seu afinamento. Esta é a principal uva utilizada na produção dos sparkling wines.
PINOT NOIR - Esta aristocrática uva borgonhesa, que ama as baixas temperaturas e o clima seco, e que dificilmente se adapta a outras regiões, encontrou, na Nova Zelândia, um terroir ideal. Seus vinhos surpreendem pela tipicidade e elegância. É muito utilizada também nos espumantes com segunda fermentação na garrafa.
CABERNET SAUVIGNON - Produz seus melhores resultados nas regiões mais quentes e secas do norte. Vibrantes e elegantes, muitas vezes são cortados com a uva Merlot.
MERLOT - Outra uva de Bordeaux que aparece tanto vinificada isoladamente quanto cortada com sua "prima" Cabernet Sauvignon, e, como ela, prefere as regiões menos frias do norte.
SEMILLON, RIESLING, GEWÜRZTRAMINER e PINOT GRIS, três uvas aromáticas brancas de primeiro time, são também cultivadas com sucesso e ótimos resultados.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O VINHO VERDE PORTUGUÊS







O Vinho Verde, produzido exclusivamente na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, constitui uma denominação de origem controlada cuja demarcação remonta a 1908. O Vinho Verde é único no mundo! Naturalmente leve e fresco, produzido no noroeste de Portugal, uma região costeira geograficamente bem localizada para a produção de excelentes vinhos brancos. Berço da carismática casta Alvarinho e produtora de vinhos de lote únicos, a Região dos Vinhos Verdes oferece um conjunto ímpar de vinhos muito gastronómicos.
Com moderado teor alcoólico, e portanto menos calórico, o Vinho Verde é um vinho frutado, fácil de beber, óptimo como aperitivo ou em harmonização com refeições leves e equilibradas: saladas, peixes, mariscos, carnes brancas, tapas, sushi, sashimi e outros pratos internacionais.
A flagrante tipicidade e originalidade destes vinhos é o resultado, por um lado, das características do solo, clima e factores sócio-económicos da Região dos Vinhos Verdes, e, por outro, das peculiaridades das castas autóctones da região e das formas de cultivo da vinha. Destes factores resulta um vinho naturalmente leve e fresco, diferente dos restantes vinhos do mundo.
Existem Vinhos Verdes, brancos e tintos, rosés e espumantes. Existem também vinagres de vinho verde, aguardentes de vinho verde e reconhecidas bagaceiras.
Devido às características edafoclimáticas encontradas nesta Região Demarcada, os vinhos produzidos, sejam brancos ou tintos, têm uma concentração em ácido málico superior à que é frequente nos vinhos de outras regiões de Portugal, o que lhes acentua a agradável frescura. Estes vinhos devem ser consumidos quando jovens.
O Vinho Verde é o segundo vinho português mais exportado, depois do vinho do Porto

Em Portugal, ainda no tempo da monarquia, mais precisamente durante o reinado de D. Carlos, entre 1907 a 1908, reconheceu-se oficialmente a qualidade e genuinidade de algumas regiões viticolas, como Bucelas, Carcavelos, Colares, Dão, Madeira, Moscatel de Setúbal e Vinhos Verdes, através da atribuição da demarcação das respectivas áreas geográficas.
Conforme legislação portuguesa (decreto lei nº 263/99) que reconhece 09 sub-regiões com direito à denominação Vinho Verde. São elas: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cavado, Lima, Monção, Paiva e Sousa.
O Vinho Verde é representado por vinhos brancos das castas: Alvarinho (principal) Arinto, Avesso, Azal, Batoca, Loureiro e Trajadura e por vinhos tintos das castas: Alvarelhão, Amaral, Borraçal, Espadeiro, Padeiro, Pedral, Rabo-de-Anho e Vinhão.
O Alvarinho proporciona um vinho extraordinário, de cor amarelo claro ou ligeiramente dourado, aroma sutil de frutas cítricas, sabor fresco, com acidez marcante, leve "agulha" e um teor alcoólico de até 12%, mais alto que os demais verdes, o que garante a ele uma maior longevidade. Os vinhos verdes devem ser tomados no ano seguinte ao ano da colheita, pois passado esse período, há o risco de se descaracterizarem.
O Alvarino, entretanto, convém estagiar um ano em garrafa para desenvolver sua complexidade aromática, acidez correta e da incomparável elegância.
Harmoniza-se perfeitamente com pratos leves, como: saladas, pescados, frutos do mar e peixes em conserva como a sardinha.


UMA DUPLA E TANTO







Falei anteriormente em queijos, os tipos, nomes, origem, nossa quanto queijo!!
Pois bem eu não poderia deixar de falar no vinho, encontrei aqui um artigo sobre queijos e vinhos de Fernando Moacyr Lisboa e eis sua sugestão:

Na escolha do queijo para acompanhar vinhos, além da intensidade do sabor, deve-se, também, ser levado em conta a textura da massa e o percentual de gordura. No tocante a gordura, é válido ressaltar que poderão existir percentuais variados para um mesmo queijo, sendo função de fabricantes. Não existe uma regra rígida a seguir, na compatibilização entre queijos e vinhos, mas apenas dicas, que poderão ajudar aos interessados. Normalmente, os queijos têm sabor forte e intenso, elevada acidez, muita gordura e costumam ser muitos salgados. O importante é pesquisar a harmonia entre o queijo e o vinho, de modo que um não suplante o outro: seja um casamento perfeito, cada um contribuindo com a sua parte, para uma perfeita harmonização. É claro, nesta empreitada, a sensibilidade e o bom senso, de cada um, serão condições importantes e fundamentais.

A título de uma primeira dica, vamos relacionar algumas harmonias, entre queijos e vinhos, como sugestões para serem testadas. Para tal vamos agrupar os queijos, segundo a textura da massa:


1) Queijos de textura mole e semi-mole:
* Brie (França): leite de vaca, 30 a 45% gordura, vinho branco seco como um Chardonnay do Novo Mundo.
* Camembert (França): leite de vaca, 21 a 45% gordura, vinho branco seco como um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia ou um tinto como um Cabernet Franc do Velho Mundo.
* Chabichou (França): leite de cabra, 45% gordura, vinho branco seco como um Sancerre (Sauvignon Blanc) do Loire ou um tinto leve como um Beaujolais Villages da Borgonha.
* Tallegio (Itália): leite de vaca, 48% gordura, vinho tinto encorpado como um Barolo do Piemonte.
* Serra da Estrela (Portugal): leite de ovelha, 45% gordura, vinho do Porto Tawny ou um tinto muito encorpado como um Amarone do Vêneto.
* Gorgonzola (Itália): leite de vaca, 48% gordura, vinho branco doce de sobremesa como um Sauternes de Bordeaux ou um Porto Tawny..
* Blue Castello (Dinamarca): leite de vaca, 70% gordura, vinho do Porto Tawny, Tokaji Aszú- 5 Puttonyos da Hungria ou um Sauternes.

2) Queijos de textura semi-dura:
* Chévre (França): leite de cabra, 45 % gordura, vinho branco seco como um Chardonnay da Borgonha ou um Condrieu (Viognier) do Rhône.
* Roquefort (França): leite de ovelha, 36% gordura, vinho branco doce de sobremesa como um Sauternes, Porto Tawny ou um Amarone.
* Edam (Holanda): leite de vaca, 40% gordura, vinho tinto leve como um Baeujolais Villages da Borgonha.
* Gouda (Holanda): leite de vaca, 40% gordura, vinho branco seco como um Chardonnay do Novo Mundo.
* Rabacal (Portugal): leite de ovelha e cabra, 50 a 60% gordura, Sauternes, Porto Tawny ou Tokaji Aszú- 5 Puttonyos
* Cheddar (Inglaterra): Leite de vaca, 40% gordura, vinho tinto como um Tempranillo da Espanha.
* Yorkshire Blue (Inglaterra): leite de ovelha, 48% gordura, Porto Tawny ou um Amarone.
* Stilton (Inglaterra): leite de vaca, 50% gordura, Sauternes, Porto Tawny ou Tokaji Aszú- 5 Puttonyos.
* Tête–de-Moine (Suíça): leite de vaca, 50% gordura, vinho branco seco como um Riesling Kabinett-trocken da Alemanha.
* Tilsit (Alemanha): leite de vaca, 20% gordura, vinho branco seco como um Müller-Thurgau Kabinett-trocken da Alemanha.

3) Queijos de textura dura:
* Parmigiano Reggiano (Itália): leite de vaca, 29% gordura, vinho tinto como um Chianti da Toscana.
* Pecorino (Itália): leite de ovelha, 37% gordura, vinho tinto como um La Poja do Veneto.
* Grana-Padano (Itália): leite de vaca, 32% gordura, vinho tinto como um Barbaresco do Piemonte.
* Manchego (Espanha): leite de ovelha, 57% gordura, vinho tinto muito encorpado como um Amarone.
* Zamorano (Espanha): leite de ovelha, 50% gordura, vinho tinto como um Alion da Ribera Del Duero.
* Emmental (Suíça): leite de vaca, 37 a 45% gordura, vinho tinto como um Malbec da Argentina.
* Gruyére (Suíça): leite de vaca, 48% gordura, vinho branco seco como um Vouvray (Chenin Blanc) do Loire.

Notas:
a) Existem queijos difíceis de serem compatibilizados. É o caso do Provolone (Itália), de sabor defumado. Segundo Mônica Pessoa, da Associação Brasileira de Degustadores de Queijos: “Qualquer vinho combinado com o Provolone, vai sumir diante da sua potência”. Entretanto, vale a pena tentar com um Gewurstraminer da Alsácia ou um Shiraz australiano.

b) Numa rodada de queijos e vinhos, para não complicar muito e ser objetivo é válido escolher poucos queijos. Assim, um queijo de leite de cabra (Chabichou,Chévre,...) um de massa mole (Brie, Camembert, ... ), um de massa dura (Parmigiano, Pecorino, ....) e um azul (Roquefort, Gorgonzola, ....), levando–se em conta 200g a 250g de queijo por pessoa.Os queijos de textura mole devem ser retirados da geladeira com meia hora de antecedência, enquanto que os de textura dura com 2 horas. Os pães são fundamentais. Eles consolidam a união dos queijos e vinhos (tipos italiano, francês, alemão, de centeio com nozes, etc). Assim, seriam, também, escolhidos vinho branco seco, vinho tinto encorpado e vinho branco doce de sobremesa ou Porto.

c) A Revista Expand nº 3, sugere as seguintes combinações entre queijos, vinhos e geléias:
* Queijo tipo Brie, vinho branco seco Trio-Chardonnay- 99-Concha Y Toro - Chile e geléia de tangerina.
* Queijo tipo Pecorino, vinho tinto encorpado- Baron de Ley –97-Espanha e geléia de pêra.
* Queijo Parmigiano , vinho tinto tânico- Quinta de La Rosa-2000-Portugal e mistura de mel com azeite de trufas brancas.
* Queijo Tallégio, vinho tinto encorpado-Langhe Rosso-98-Batasiolo-Piemonte-Itália e geléia de figo preto.
Obs: A combinação da geléia com o queijo e o vinho, ocorre mais na esfera do aroma do que do paladar.